quinta-feira, 13 de julho de 2017

Anatomia de Julho - Passagem secreta

O Sol se encerra no ventre da noite. Não restam direções, trilhas ou estradas. Apenas o pulso de meu sangue. Abraço o sorriso escorrendo à boca. Escondo meu espírito nos vincos de uma pirâmide. Está submersa no fundo do Atlântico. Meu derradeiro monumento. Então, agora, inevitavelmente agora, meu corpo descansa. Estou por fim em casa, acolhido pelos ângulos permeados por água negra. O dia não nascerá. 




Meu espírito segue o fluxo: como barco em silêncio sobre o Nilo. Singro entre flores brancas. Elas me observam sem desabrochar sua seda. Testemunho o nascimento de meus pais, e dos pais de meus pais, em hieróglifos gravados nas ondas. Sigo o labirinto. As teias me elevam ao topo. Não há círculo que não se rompa num ponto. Até hoje não saberia responder para onde estava indo todo este tempo. Todavia, me habita, hoje, a certeza da origem da primeira semente.