quinta-feira, 23 de junho de 2016

Mapa costeiro

Sobre o mar, nenhum filho do homem caminha, pois hoje não há tempestade.
À margem da enseada. Alheio ao atol, às angras, distante dos marinheiros submersos em bruma. Um albatroz coroa a penha. As penas farfalham. O céu está vazio. A vaga cinza se estende às veis do horizonte.
- É teu o oceano inteiro.



Interrompo a travessia por terra, caminho para eflúvio espumoso. Persigo os degraus das ondas.
A água, de repente, me espeta. Arremete contra meu rosto, me afoga. Agarra aos calcanhares, eu retraio. Adentro a concha em espiral secreta, meus ossos erodindo feito castelo.
As invasões, salinas e breves, de espuma me enchem os pulmões.
Limpa da garganta a pronúncia do primeiro nome.
Água nos ouvidos me ensurdecem, em ameaça:

Ou o mar. Ou nada.